Uma fortaleza de comunicação e cultura chamada Pan-Amazônia

Foto: Laís Teixeira

Por Lázaro Araújo

Pluralismo e diversidade cultural e comunicacional livre, independente e dinâmica, na economia política da Pan-Amazônia, encontramos aonde, em qual dos países desse conglomerado populacional internacional? Não é fácil responder a essa pergunta, talvez o mais “certo” seria dizer em nenhum. No entanto, enquanto existirem pensadores, pesquisadores e estudantes, haverá sempre inquietação e questionamento. E nesse sentido, o Encontro de Pesquisa em Comunicação da Amazônia (EPCA), em seu II ano, está sedimentando um espaço por excelência para encontrar respostas e alternativas aos modelos de mediações midiáticas hegemônicos impostos no continente sul-americano.

Não existem respostas prontas e verdades absolutas quando se trata de relacionar Comunicação e Sociedade, envolvidas por Tensões e Conflitos, estabelecidos no tempo denominado de Contemporâneo. A principal tarefa aqui é estabelecer diálogos, abrir fronteiras, criar vínculos e ampliar a socialidade desse imenso continente. Quem provocou o debate foi o Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará (PPGCom/Ufpa) e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da universidade da Amazônia (PPGCLC/Unama).

Os protagonistas do bom combate foram os pesquisadores colombianos José Miguel Pereira e Juan Ramos Martin, professores do Mestrado em Comunicação da pontifícia Universidad Javeriana de Bogotá/Colômbia, tendo como mediadora a professora doutora brasileira Rosane Steinbrenner, professora adjunta da Facom e PPGCom da UFPA. Troca de conhecimentos e construção do saber, com o olhar voltado para a Pan-Amazônia.

Baseados em suas pesquisas, os debatedores buscam caminhos de sinergias nesse processo de embates e conflitos, que envolvem cultura de paz, preservação do meio ambiente, combate ao narcotráfico, reconciliações e arranjos negociais, sustentabilidade política, econômica e midiática, em contraponto a um estado aparente e na tentativa de tornar visível o que é invisibilizado por uma cultura de exclusão, ameaça, intimidação e assassinato de jornalistas, entre outros atores sociais. Estamos falando de comunicação como resistência, mas que precisa contar com a educação no centro das atenções e na solução efetiva de conflitos. O cenário é de tensão e incerteza, e a comunicação se faz urgente para tirar da invisibilidade o que precisa ser visto e combater o que deve ser combatido.

Muito pouca esperança é depositada nos chamados grandes meios de comunicação e na própria internet, como mediadores de diálogos. Para os pesquisadores o importante é ampliar o debate público, trazer a comunicação para a esfera política, abrindo espaços de conversas nas escolas, universidades, em outros diversos, privilegiando nessa relação social aspectos da vida e da ética, como a empatia e o afeto. Esse intercâmbio internacional de conhecimento e saber está sendo desenhado para a criação de projetos de investigação conjunta entre as instituições dos dois países, presentes no encontro. Mas a ideia é expandir e envolver pesquisadores de países vizinhos, como o Equador, a Venezuela, a Bolívia, o Peru, a Guiana, entre outros.

Na fala do professor José Maria Pereira encontramos pontos importantes para o reforço dessa parceria. “Mesmo sendo ligados, por meio de uma fronteira, nos conhecemos muito pouco, não temos cultura em comum, as nossas produções musicais, intelectuais, de pesquisas, e nossa cosmovisão, nosso imaginário, não se inter-relacionam. Por isso, é muito importante nos conhecermos e este encontro possibilita a mobilidade de estudantes, de pesquisadores, tanto daqui para lá quanto de lá pra cá. Devemos produzir conhecimento em conjunto, nós da Pan-Amazônia, lugar da maior biodiversidade do mundo”.

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